8
maio
2016
22

JEJUM INTERMITENTE, LOW CARB E MASSA MUSCULAR (DUDU)

Tá acreditando errado!

A crença de que o jejum e dietas muito restritas em carboidratos oferecem um ambiente hormonal e metabólico para proteção da massa muscular é totalmente equivocada, pelo menos no aspecto que envolve o fisiculturismo, onde a manutenção de um grande volume muscular é quase sempre desejado. Argumentos que estimular GH ou aumentar a produção de corpos cetônicos vão ajudar a reduzir o catabolismo são só parcialmente verdadeiros, pois isso só entra em consideração quando o o corpo sente necessidade de preservar proteínas para funções vitais do organismo (enzimas, proteínas de transporte etc).

Alguns estudos parecem mostrar que indivíduos normais em dietas muito restritas em carboidratos não perdem muita massa muscular e até mesmo podem ganhar (em dietas hiperproteicas), mas isso não se aplica a indivíduos com grande volume muscular. A maioria dos fisiculturistas que adotar uma dieta muito restrita em carboidratos, sem uso de hormônios anabólicos, perceberá que a perda massa muscular é muito considerável, de forma que atingir um percentual de gordura muito baixo só é possível sacrificando muita massa muscular. Muito diferente de um obeso, que possui uma grande quantidade de gordura corporal e seu corpo tende a catabolizar muito mais gordura do que proteína.

Argumentos de que o estímulo da liberação do GH pelo jejum sejam significativos para perda de gordura e manutenção da massa muscular me parecem muito especulativos e fantasiosos. A redução dos carboidratos da dieta e dos níveis de insulina são fatores muito mais significativos para sinalizar o aumento do catabolismo, seja dos estoques de gordura, seja do excesso de proteína corporal na forma de massa muscular. Por que diabos o corpo teria interesse em priorizar músculos quando não se tem muita reserva de energia na forma de gordura? Sendo assim, parece óbvio que é muito difícil manter grande volume muscular quando se restringe muito os carboidratos, fonte primordial de energia.

Quando se restringe os carboidratos da dieta, isso aumenta a gliconeogênese, que é o aumento da produção de glicose hepática através de compostos não carboidratos, dos quais os aminoácidos são os principais substratos. A gliconeogênese ocorre quando os níveis de insulina estão reduzidos e é estimulada principalmente pelo hormônio pancreático glucagon, que também aumenta a lipólise no tecido adiposo (quebra de triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol). Cortisol e GH também contribuem para a gliconeogênese e para a lipólise, então, assim como o jejum e a redução de carboidratos estimulam o GH (um hormônio anabólico), também estimulam o aumento dos níveis de cortisol (o hormônio catabólico por excelência), que contribui para o aumento do catabolismo proteico e estimula o uso de aminoácidos para a gliconeogênese. Ignorar o papel do cortisol no jejum é um grande erro, assim como ignorar que os baixos níveis de insulina não só aceleram a queima de gordura, como também aumentam a degradação de proteínas de forma muito significativa.

O fato de fisiculturistas usarem essas estratégias com sucesso, preservando e, até mesmo, aumentando a massa muscular em alguns casos, só demonstra o quanto os esteroides androgênicos são hormônios poderosos para aumentar síntese proteica e reduzir degradação proteica em situações de dietas muito restritivas em calorias e carboidratos. Isso sem entrar no mérito da genética diferenciada de alguns atletas.

Isso não significa que sou contra dietas como jejum intermitente e cetogênica/metabólica para naturais. Isso obviamente seria uma deturpação do que estou dizendo. Quero apenas deixar claro que muito do que é dito por aí sobre essas dietas é fantasioso, quando argumenta que elas possuem grandes vantagens adicionais em relação a uma estratégia comum, onde a redução de calorias e carboidratos é gradativa. É preciso deixar claro também que considero uma grande ingenuidade universalizar o uso dessas estratégias para indivíduos tão diferentes, com metabolismos e genéticas tão diferenciados, com tempo de treino diferenciado e por isso também com adaptações metabólicas que não podem ser comparadas.

Alguns indivíduos podem se dar muito bem com esse tipo de estratégia, outros não, para outros a vantagem delas pode ser apenas temporária e muito eficiente em determinado momento, em outros momentos podem ser muito ineficientes. Isso porque não estou entrando no mérito do ganho de massa muscular, mas o fanatismo por qualquer forma de estratégia nutricional (seja jejum, low carb, paleo etc) limita suas possibilidades, limita sua evolução, embora você creia que não.

Leia com atenção para evitar conclusões precipitadas!

abraços, Dudu Haluch

3 Responses

  1. Rafael

    Fala Dudu, treino natural e estou tentando essa dieta metabólica agora mas de forma menos agressiva comendo 100g carbos p/dia e o restante de proteínas e muita gordura e com um Refeed de carbos aos domingos com menos gordura e proteínas, pelo o que entendi do seu texto para ganhar e manter muita massa magra é impossível sem EAs mas para ganhar um pouco mais de massa magra e baixar o percentual de gordura seria viável uma dieta dessas? Tipo uma recomposição corporal? Sou ecto, tenho 1,75 e 73,5kg(antes estava 75kg), só queria perder gordura abdominal(ou redistribuir melhor pelo corpo como autor afirma ser possível) e aumentar um pouco mais a massa magra. Abraços!

  2. Lauro Henrique

    DUDU parabéns cara por toda essa didática que você passa,gostaria muito de ti conhecer apreender com você e gravar até mesmo video pro meu canal que está no inicio.
    Bom o que você acha sobre avaliação no atleta e na dieta a melhor forma seria mensal para ver como aquela dieta esta sendo efetiva para o atleta ou uma avaliação a cada 2 , 3 mês
    Obrigado

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