9
abr
2019
8

JEJUM, INSULINA E QUEIMA DE GORDURA

TEXTO 1:

Existe uma crença entre entusiastas do mundo fitness e outros médicos e gurus que cortar carboidratos na parte da manhã ou simplesmente pular o café da manhã pode otimizar a PERDA de GORDURA por manter níveis de insulina mais baixos por mais tempo, o que levaria a um aumento da lipólise no tecido adiposo (quebra dos triacilgliceróis em ácidos graxos e glicerol) e também a uma maior oxidação dos ácidos graxos (queima de gordura).

É verdade que quando os níveis de glicose e insulina estão reduzidos ocorre um aumento nos níveis de hormônios lipolíticos e contrarreguladores da insulina, como glucagon (principalmente), adrenalina (mais com exercício), cortisol (mais no jejum prolongado) e GH (sono, exercício intenso e jejum prolongado). Esses hormônios estimulam a lipólise e se você retirar os carboidratos de manhã, ficar em jejum ou fazer aeróbico em jejum vai potencializar a lipólise e a oxidação de gordura. O ERRO é achar que isso vai levar a uma maior perda de gordura do que uma estratégia que mantenha as mesmas calorias e macronutrientes sem restringir carboidratos de manhã ou fazer jejum, ou AEJ.

O ponto é que essa maior oxidação de gordura quando os níveis de glicose e insulina estão reduzidos será compensada quando os níveis de glicose e insulina estiverem mais elevados (redução da lipólise, supressão da oxidação de gordura, aumento da lipogênese). Portanto, se você não estiver em déficit calórico, essas estratégias provavelmente não irão fazer nada de relevante na otimização da perda de gordura. Mas não há nada errado em utilizar esse tipo de estratégia, até porque, quando se trata de periodização nutricional, existem poucos estudos explorando a sinergia entre exercício e nutrição. Ou seja, você não precisa ficar preso a esse tipo de ideia simplista, mas elas podem se encaixar muito bem em indivíduos que estão estagnados ou querem tentar algo diferente, principalmente se isso se encaixa bem na rotina dele. Eu sou um adepto desse tipo de estratégia, mas não ouso mais defendê-las apenas com base em FISIOLOGIA DE BUTECO.

abraços, Dudu Haluch

TEXTO 2:

JEJUM AUMENTA A QUEIMA DE GORDURA, mas a perda de peso/GORDURA vai depender do DÉFICIT CALÓRICO.

Durante o jejum nosso corpo aumenta a oxidação de gordura para minimizar o uso de glicose como fonte de energia. Entenda que isso é um mecanismo de adaptação do organismo para manter a sobrevivência do organismo no longo prazo, embora você possa achar que é melhor para ficar mais magro.

Quando os níveis de insulina estão baixos durante o jejum ocorre aumento da lipólise no tecido adiposo (quebra dos triacilgliceróis em ácidos graxos e glicerol), mediada pelos hormônios contrarreguladores da insulina (glucagon, cortisol e GH). Também ocorre aumento da oxidação de ácidos graxos (gordura), enquanto o glicerol vai para o fígado ser convertido em glicose (gliconeogênese). Também ocorre aumento da degradação proteica muscular, que fornece aminoácidos para a gliconeogênese, já que alguns tecidos são dependentes de glicose, como cérebro e hemácias. Se o uso de glicose fosse intenso no jejum, o catabolismo de proteínas seria intenso, o que reduziria o tempo de vida do organismo.

Observe no entanto que com a quebra do jejum os níveis de glicose e insulina estarão elevados, suprimindo a oxidação de gordura e favorecendo sua síntese (lipogênese) e armazenamento (por isso o déficit calórico é FUNDAMENTAL).

O estudo de Pilegaard (2003) demonstrou que o jejum/realimentação a curto prazo em humanos altera a transcrição de vários genes no músculo esquelético relacionados ao metabolismo lipídico (PDK4, LPL, UCP3, CPT-1) e houve acentuada heterogeneidade na resposta transcricional ao protocolo de jejum/realimentação sugerindo que diferenças individuais no perfil genético podem desempenhar um papel importante nas respostas moleculares adaptativas aos desafios metabólicos. O EXERCÍCIO em combinação com o jejum potencializa essas adaptações e poderia ser uma estratégia nutricional alternativa para potencializar resultados de perda de gordura em alguns indivíduos, considerando os achados de Pilegaard.

Sendo assim, o jejum intermitente pode ser interessante quando trabalhado num modelo de periodização nutricional em indivíduos que estão estagnados com estratégias convencionais, principalmente combinado com exercício.

abraços, Dudu Haluch

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